Nos últimos textos falamos sobre a Quaresma, que chegou ao fim na última quinta-feira. Para dar continuidade ao Ano Litúrgico, neste texto falaremos um pouco sobre a Páscoa, momento para o qual nos preparamos nos 40 dias de oração, caridade e jejum da Quaresma.
A PÁSCOA é para nós Cristãos o ápice de nossa fé, e temos muito que falar sobre esta celebração tão importante. Como é impossível esgotar este assunto em apenas um post, neste texto o OREMOS deseja compartilhar a importância da Páscoa, nos concentrando no sacrifício de Jesus na cruz e suas implicações em nossas vidas.
Boa leitura!
PELA VOSSA SANTA CRUZ, REMISTES O MUNDO
A Páscoa é a celebração dos últimos acontecimentos da vida de Cristo. É nesta festa litúrgica que celebramos o sofrimento de Jesus na cruz, sua morte e sepultamento e a sua ressurreição.
Pode parecer mórbido celebrar o Seu sofrimento, mas é preciso relembrar o sofrimento e a morte de Jesus na cruz, para que não esqueçamos o Seu sacrifício, para que ele não tenha sido em vão. E, ao compreendermos inteiramente a grandeza deste sacrifício, somos capazes de celebrá-lo.
Jesus chamou para Si os pecados da humanidade, e ofereceu a Si mesmo, de uma vez por todas, como sacrifício para pagar pelos pecados de todos nós do mundo inteiro (de todos nós ou do mundo inteiro? Ou um ou outro senão fica redundante!) (Hb 7,25-28; e 1 Jo 2,1-2).
Algumas vezes, na Oração Eucarística o sacerdote pede: “Salvador do mundo, salvai-nos, vós que nos libertastes pela cruz e ressurreição”. Isso porque, como muitos outros antes de nós (Jo 1, 29.36 e Jo 4,42), também nós reconhecemos Cristo como nosso Salvador. E, nas palavras do evangelista Mateus, podemos perceber que até mesmo os que d’Ele zombavam O reconheceram como Salvador: "Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-se" (Mt 27,42).
Jesus não pôde salvar-se porque era preciso que morresse para que nós fossemos salvos, como frisou o apóstolo Paulo em 1 Co 15:3 “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras.”
Foi assim que profetizou Zacarias quando do nascimento de João Batista:
“Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo, e suscitou-nos um poderoso Salvador, na casa de Davi, seu servo (como havia anunciado, desde os primeiros tempos, mediante os seus santos profetas), para nos livrar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam. Assim exerce a sua misericórdia com nossos pais, e se recorda de sua santa aliança, segundo o juramento que fez a nosso pai Abraão: de nos conceder que, sem temor, libertados de mãos inimigas, possamos servi-lo em santidade e justiça, em sua presença, todos os dias da nossa vida. E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho, para dar ao seu povo conhecer a salvação, pelo perdão dos pecados. Graças à ternura e misericórdia de nosso Deus, que nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente, que há de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz.” [Cântico de Zacarias (Lc 1,68-79)]
Jesus morreu por mim, morreu por você, morreu por todos nós! Com o Seu sacrifício mesmo aqueles pecados que ainda não foram cometidos foram perdoados. Tudo isso, já vimos até aqui. Mas a oração do Cântico de Zacarias nos revela ainda mais: nos revela que tudo isso só é possível graças à ternura e misericórdia do nosso Deus.
Assim, o sacrifício de Jesus na cruz também comprova o imenso amor de Deus-Pai. Deus é Pai, é Amor e Perdão. E Ele ama, sobretudo, aqueles que erram. "Nisso se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado Seu Filho unigênito (...) para vivermos" (1 Jo 4,9).
Daí porque celebramos a paixão de Cristo. Pois nessa celebração exaltamos não só o perdão de nossos pecados, mas, principalmente o amor que Deus, nosso pai, tem por nós.
Contudo a vida que Nosso Senhor quer pra nós não é uma vida de sofrimento ou uma vida oprimida. Deus nos enviou seu único Filho para que vivêssemos em plenitude e não mais servíssemos ao pecado. Em Jesus, nosso Pai nos devolveu a vida plena, livre do pecado, que havíamos deixado pra trás junto com Adão.
Nossos pecados foram expiados, agora podemos nos aproximar do Trono de Deus através de Jesus (Hb 4,14-16). Mas é preciso que participemos ativamente da nossa salvação, como nos ensina Santo Agostinho: "Aquele que te criou sem ti, sem ti não te salvará".
E o caminho para a nossa salvação é Cristo Jesus (Jo 14,6). Ele é o Caminho que devemos seguir, a Verdade que devemos buscar, a Vida que nos salvará da morte eterna. É Ele mesmo quem nos convida:
"Querendo alguém ser meu discípulo, renuncie a si próprio, tome sua cruz e siga-me" (Mt 16, 24).
Para que nunca esqueçamos o caminho de Jesus, a verdade que ele nos revelou, a vida que nos salvará e o sacrifício que Ele fez por todos, propomos a oração da profissão de fé. Os CREDOS ou SÍMBOLOS DE FÉ são orações que contam a vida de Jesus Cristo, e no Tempo Pascal podem ser excelentes fontes de meditação e inspiração para a oração espontânea:
Credo Niceno-Constantinopolitano
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso
Criador do Céu e da Terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigénito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós homens e para nossa salvação
desceu dos Céus.
E encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria,
e se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras;
e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do Pai.
De novo há-de vir em sua glória
para julgar os vivos e os mortos;
e o seu Reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas.
Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica.
Professo um só Baptismo para a remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos
e a vida do mundo que há-de vir.
Amém.
Símbolo dos Apóstolos
Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra
E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;
nasceu da Virgem Maria;
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado;
desceu à mansão dos mortos;
ressuscitou ao terceiro dia;
subiu aos Céus;
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
de onde há-de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo;
na santa Igreja Católica;
na comunhão dos Santos;
na remissão dos pecados;
na ressurreição da carne;
e na vida eterna.
Amem
“Que Deus os abençoe e os guarde! Amém.”
Para saber mais sobre a Páscoa: